28 de set de 2012

Balança quebrada

Fazia tempos que não escrevia sobre sentimentos.
Não sei se há razão específica, ou há e eu não quero falar...
Acho mesmo que queria apenas me esquivar deles. De todos.
Não queria sentir.
Não diga que pareço fria, aliás... o tempo anda frio ultimamente.
Mas não sou assim, só desejo ser. Gostaria de ser igual á máquinas: processar o acontecido, arquivar ou excluir da minha mente, poder rever os arquivos que me fizeram bem, formatar minha vida quando um vírus infectar tudo que havia nela. Simples não é mesmo? E tem gente que acha tecnologia complicado.
Complicado é mente de ser humano, é coração. Isso sim meu caro, é complicado.
Sou uma pessoa -que na maior parte do tempo- é feliz. Não tenho o que reclamar.
Mas em um dia qualquer, pode cair durante semana ou então em pleno sábado á noite... bate uma depressão que me derruba. Não tenho vontade nem de forjar meu sorriso. Não quero conversar, todo papo que surge para mim é totalmente brochante. Não quero namorar, não quero beijar, mal mal trocar palavras/olhares. Facebook não me distrai, nenhuma série na TV me prende a atenção, leio umas 15 páginas do meu livro predileto e não fico satisfeita. Rolo na cama, vou na cozinha procurar algo pra comer que sei que não vou encontrar. Volto, me olho no espelho. Quem é aquela na imagem? Quais são seus planos? O que ela já fez de importante? Quem ela ama, quem ama ela? Ela já fez algo de que se orgulha? Se ela sumisse, agora... alguma diferença faria?
Ela crê em quê? Seus pensamentos são confusos, acredita em um Deus e ao mesmo tempo duvida que exista um. Pego minha famosa balança: o que tem mais importância? Namoro, estudos, profissão, dinheiro, família, amigos, Deus? Minha balança nunca funciona, mas ainda a mantenho aqui... mais como um amuleto do que outra coisa... é como se apenas aquilo, me mantivesse sã.
Uma angústia toma conta, uma lágrima cai. Me pego pensando: porque estou chorando afinal?
Não sei quem é aquela no espelho. Não sei responder, será isso a razão da minha angústia?
Me levanto, enxugo o rosto. Ninguém notou que não estou bem hoje.
Uma pessoa me perguntou se havia acontecido algo, acho que percebeu alguma coisa. Mas eu disse que não. Afinal, se dissesse que sim... o que diria? Diria que não sei do que se trata, que apenas preciso consertar minha balança quebrada?
Não, me deixe com minhas metáforas. Ninguém as entende melhor que eu.
Se não sei o que se passa em mim, se não sei quem sou eu... ao menos minhas próprias metáforas eu devo entender.
Já é tarde da noite, ao menos para mim... que já deixei a vida boêmia de lado faz tempos e ainda estou pensando naquela imagem no espelho. Já a vi de várias formas: mal arrumada e com cabelos embaraçados quando acaba de acordar e extremamente bonita, maquiada e produzida para algum evento e em ambos, te pergunto: havia diferença?
Não, o conteúdo era o mesmo... confuso, bagunçado, sem forma, sem cor, sem sentido.
É como maquiar uma mentira, é fingir pesar menos do que realmente pesa, é dizer que tem 2 anos a menos do que tem, é mentir sempre para parecer melhor. Parecer melhor para quem?
A imagem no espelho continua pesando o que pesa, com a idade que tem, com o mesmo rosto apesar da maquiagem bem trabalhada.
Só espero conseguir entender o porquê de manter uma falsa alegria, uma balança quebrada na minha vida por tanto tempo. Passou da hora de jogá-la fora.
Mas vou?


Um comentário:

  1. Você está apenas se descobrindo humana! E como tal, às vezes precisa de colo, afago, carinho, puxões de orelha e tudo mais que a gente espera de quem nos ama. Se não estiver acontecendo, não é por que as pessoas que estão ao seu lado não a amam, apenas podem não saber como fazê-lo. Ou às vezes, aquele colo pode estar onde você menos espera e se ele tiver que chegar até você, chegará.

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